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Downhill Urbano. Uma das modalidades mais radicais do ciclismo

Segue matéria na íntegra feita pelo caderno SuperEsportes do Correio Braziliense

Por Nádia Medeiros

Imagine descer escadarias, percorrer pequenos corredores com corrimãos prontos para serem atingidos, saltar de calçadas e atravessar vãos. Tudo isso sob uma bicicleta, com velocidade média de 60km/h a 70km/h, sempre em uma só direção: “morro abaixo”, como dizem os praticantes. Tudo com a obrigação de realizar o trajeto no menor tempo possível. Difícil? Pois esta maluquice existe e tem um nome: downhill. Mais precisamente, downhill urbano, por ser realizado no meio das cidades, usando muito da própria estrutura e arquitetura dos locais como obstáculos.

Fraser Briton/Divulgação
Emoção no Valparaiso Cerro Abajo (VCA), no Chile: percurso recheado de perigos que exigem o máximo dos participantes

 

A modalidade, conhecida como DH, é filha do mountain bike e irmã do cross-country e começou a ser praticada em montanhas da Califórnia, nos Estados Unidos, por ciclistas que estavam cansados de andar somente na praia ou no asfalto. Eles resolveram, então, adaptar as bikes utilizando pneus mais largos e freios mais potentes para que pudessem pedalar nos morros de Marin County, perto de San Francisco, lançando-se ladeira abaixo.

O salto da modalidade da terra para o asfalto e os centros das cidades aconteceu em 2000, em Portugal. O Lisboa Downtown foi o primeiro evento de downhill realizado em uma área urbana e ganhou concorrentes apenas três anos depois. Dois dos maiores deles, inclusive, são na América Latina e tiveram a nona edição realizada no mês passado: Valparaiso Cerro Abajo (VCA), no Chile, e Descida das Escadas de Santos, aqui no Brasil, na cidade do litoral paulista.

Em Santos, o downhill urbano encontrou um lugar perfeito para a prática. A escadaria histórica do Monte Serrat, localizada na região central da cidade, alia trechos de média e alta dificuldade, com muitas curvas e saltos. Os atletas de ponta fazem o percurso de 417 degraus e 650 metros de extensão em pouco mais de um minuto. Já em Valparaiso, que fica a 117km de Santiago, a geografia da cidade cheia de ladeiras e com mais escadarias que calçadas também colabora com o radicalismo do downhill. Lá, os ciclistas percorrem cerca de 2km em uma média de 2 minutos.

Saiba mais

O downhill é uma das categorias do mountain bike, assim como o cross- country (percursos curtos, de 4km a 5km) e a maratona (percursos longos, de 50km a 60km), e é a única em que os participantes não largam juntos (é uma prova de contrarrelógio). A bicicleta usada para a prática da modalidade não se parece em nada com outras de ciclismo. Ela pesa cerca de 20kg, 10kg a mais que a maioria, tem pneus reforçados e mais grossos, amortecedores nas rodas dianteiras e traseiras, suspensão mais resistente, quadro maior e é considerada mais confortável e estável que as de cross-country, por exemplo.

O ranking mundial de downhill

O Brasil não tem representantes entre os 10 melhores do mundo. Confira a lista:

1. Gee Atherton – Grã-Bretanha
2. Greg Minnar – África do Sul
3. Aaron Gwin – Estados Unidos
4. Samuel Blenkinsop – Nova Zelândia
5. Marc Beaumont – Grã-Bretanha
6. Nick Beer – Suíça
7. Steve Smith – Canadá
8. Cameron Cole – Nova Zelândia
9. Brendan Fairclough – Grã-Bretanha
10. Damien Spagnolo – França
41. Markolf Berchtold – Brasil

Mundial em Camboriú

» No ano passado, a cidade de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, sediou o Campeonato Mundial de Mountain Bike Master (acima de 30 anos) que contou com 157 atletas de 28 países. Neste ano, a prova voltará a ser realizada no local, entre 19 e 24 de julho. Haverá provas de downhill e de Cross Country Olímpico.

Sem medo dos tombos

Scott/Divulgação
A evolução do downhill: ads montanhas, o esporte chegou às cidades

 

Para Markolf, o fato do downhill ser um esporte bastante radical (mesmo que uma falha do ciclista possa resultar num acidente sério) é o que o torna ainda mais interessante. “A adrenalina é muito alta. Tenho mais de 15 anos no downhill e sempre fico nervoso antes das competições. Mas só de saber que estou ali sem um motor, só usando os próprios obstáculos para pegar velocidade, já acho demais”, diz ele, que jura que nunca sofreu um acidente muito grave.

“Cair, a gente cai sempre. Tombos são comuns, mas nada muito grave. Com o tempo, aprendemos a cair e nos proteger para não machucar. O mais sério foi quando rompi um ligamento do joelho porque o usei para apoiar no chão”, conta. Os praticantes de downhill usam equipamentos parecidos com os de pilotos de motocross, como capacete e óculos fechados, com proteções para queixo e pescoço, além de caneleiras, joelheiras, blusas e calças compridas, e luvas.

Velocidade de raciocínio é a chave

Press Shimano/Divulgação
Markolf Berchtold em ação este ano no Chile: melhor atleta do Brasil

 

O catarinense Markolf Berchtold, 31 anos, o latino-americano de maior destaque na modalidade, explica que as competições de downhill são sempre em pequenos trechos que duram, no máximo, seis minutos. Os atletas saem um por um, a cada minuto. A meta é fazer o trajeto estabelecido — delimitado por fitas —- no menor tempo possível.

“Sempre podemos treinar no trajeto da prova dois ou três dias antes da competição em si. Nunca há um percurso igual e precisamos conhecer para saber exatamente o que fazer em cada curva, cada escadaria”, conta ele, que ficou em 10º no VCA do Chile deste ano, já foi sete vezes campeão pan-americano e chegou a estar em 7º no ranking mundial, em 2005. “O atleta experiente no downhill vai fazer o trecho da competição 50 mil vezes para conhecer cada pedacinho, memorizar onde deve acelerar, onde tem que tomar mais cuidado. Só assim ele vai conseguir competir sem errar e o mais rápido possível”, prossegue.

Para o candango Pedro Igor Rodrigues, que praticou o esporte entre 1994 e 2004, o atleta de alto nível deve ter uma qualidade  fundamental, sem a qual ninguém tem sucesso na empreitada: “Tem uma coisa que é essencial para a modalidade e que dificilmente se adquire: a habilidade e rápida percepção, a velocidade de reação. Isso é o que os melhores do mundo em downhill têm.”

Markolf ressalta que a prática é facilitada quando se está bem condicionado. “Na minha preparação para qualquer prova de downhill entram sempre treinos de cross-country para ganhar resistência. Tem que pedalar muito para fortalecer a musculatura. Apesar de no downhill estarmos sempre descendo, o esforço físico é grande, precisamos estar bem fisicamente”, comenta.

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