Matéria na íntegra do Estadão

Trocar o carro ou o ônibus por bicicletas se tornará uma opção para estudantes, professores e demais funcionários da Universidade de São Paulo (USP) na próxima segunda-feira. Neste dia, entrará em testes o Pedalusp, sistema que prevê o empréstimo gratuito de bikes para viagens dentro do câmpus do Butantã, na zona oeste de São Paulo.

Inicialmente, a frota se resumirá a quatro bicicletas. Elas poderão ser retiradas nas estações na frente do prédio da Faculdade de Engenharia Mecatrônica da Politécnica ou na instalada a cerca de um quilômetro dali, no prédio do Biênio. O percurso pode ser feito em 20 minutos, tempo máximo de empréstimo.

“Os testes serão feitos mais para verificarmos detalhes e fazer a interação com a comunidade”, explicou o engenheiro Maurício Serrano Villar. Essa fase deve se estender até novembro. Até lá, a ideia é saber como alunos e funcionários da USP avaliam o sistema. “As pessoas vão poder dizer se precisam de mais tempo (para usar as bikes), por exemplo.”

Concluído esse período, pretende-se expandir o número de bicicletas para cem, espalhadas em dez pontos da Cidade Universitária. “Queremos dar uma alternativa: em vez de ficar andando de carro dentro da escola, por que não pará-lo em um prédio e usar a bicicleta?”, sugere Villar.

O engenheiro é o pai do projeto, ao lado do amigo Maurício Matsumoto. Em 2005, os então estudantes de Engenharia Mecatrônica desembarcaram na França, por conta de convênios da USP com escolas francesas. Ali, ao longo de dois anos e meio, conheceram o sistema de empréstimo de bicicletas existente em Marselha e Lyon e decidiram adaptá-lo para o Brasil. “Usávamos como meio de transporte lá e quando voltamos tivemos a ideia de fazer na USP.”

A dupla apresentou o sistema no projeto de conclusão do curso, em 2009. A Coordenadoria do Câmpus simpatizou-se com a ideia e desembolsou R$ 50 mil para que as bikes se tornassem realidade no campus. “Aqui, quem não tem carro depende de carona, vai a pé, ou depende do (ônibus) circular, que não consegue atender a toda demanda, acarretando veículos lotados e atrasos”, observou Villar.

As estações de bicicleta têm atraído a atenção de estudantes. “Quem mora nos arredores (do campus), como eu, poderá passar pelo portão e usar a bike”, afirmou o estudante João Carlos Rocha de Borba, de 21 anos. O amigo dele, Rodrigo Inocente, da mesma idade, questionou, entretanto, se elas não serão alvo de ladrões. “Não pelos alunos, mas por pessoas de fora.” É comum ouvir reclamações sobre roubo de bicicletas no câmpus. Mas tanto o delegado Carlos Alberto Delaye Carvalho, titular do 93.º DP (Jaguaré), que cobre a área da USP, quanto a Coordenadoria do Câmpus dizem não haver dados oficiais sobre esse tipo de ocorrência.

Regras. Segundo Villar, a dúvida sobre a segurança existe desde o início do projeto. “As pessoas dizem que vai ter muito roubo, mas na USP o projeto pode dar certo, por ser um ambiente fechado, com mais jovens.”

Para proteger o sistema, as bicicletas permanecerão travadas nas estações. A liberação será feita apenas a estudantes, professores e empregados cadastrados em um site. Se não devolverem a bicicleta no prazo previsto, ficarão impedidos de usar o serviço por períodos de 1 a 20 dias ou definitivamente. Quem não devolver mais a bicicleta, poderá ser denunciado à polícia. “É um bem público. A pessoa vai roubar um bem da universidade.”

DUAS PERGUNTAS PARA…

André Pasqualini, DIRETOR DO INSTITUTO CICLOBR

1. Como avalia o projeto que vai começar a ser testado na USP?

O mais importante desse sistema é que pode ser utilizado em outros lugares. Pode servir para empresas, por exemplo. A bicicleta é o melhor veículo para se deslocar num percurso de até quatro quilômetros, que é o raio da USP.

2. O maior desafio desse sistema é mudar o comportamento das pessoas?

Na USP, há muitos alunos que não têm poder aquisitivo e é inviável usar carro para tudo. É uma maneira de trazer a pessoa para esse novo meio de transporte, para que ela se adapte e possa adotá-lo em sua rotina.

LÁ TEM…

Paris
Bicicletários espalhados pelo centro permitem às pessoas retirar bicicletas e usá-las por 30 minutos sem custo nenhum. Depois desse prazo, as tarifas variam de 1 a 4.

Rio
Projeto tem 19 estações de empréstimo de bicicletas. Nos primeiros 60 minutos, o uso é gratuito. Depois, são cobrados R$ 5 por hora excedida.

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